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Etapas da doação

Compatibilidade

Para que se realize um transplante de medula é necessário que haja uma total compatibilidade tecidual entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. Esta compatibilidade tecidual é determinada por um conjunto de genes localizados no cromossoma 6. Por isso, devem ser iguais entre doador e receptor. Esta análise é realizada em testes laboratoriais específicos, a partir de amostras de sangue do doador e receptor, chamados de exames de histocompatibilidade. Com base nas leis de genética, as chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos (mesmo pai e mesma mãe) é de 25% e de até 0,0001% (uma em um milhão) entre doadores não aparentados.

O que fazer quando não há um doador compatível?

Quando não há um doador aparentado (um irmão ou outro parente próximo, geralmente um dos pais), a solução é procurar um doador compatível entre os grupos étnicos (brancos, negros, amarelos, entre outros) semelhantes. Embora, no caso do Brasil, a mistura de raças dificulte a localização de doadores, é possível encontrá-los em outros países. Desta forma surgiram os primeiros Bancos de Doadores de Medula, em que voluntários de todo o mundo são cadastrados e consultados para pacientes de todo o planeta. Hoje, já existem mais de 5 milhões de doadores.

Como é o transplante para o doador?

Antes da doação, o doador faz um exame clínico para confirmar o seu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. Existem duas formas de doar medula: uma por punção direta da medula óssea e outra por filtração de células-mãe que passam pelas veias (aférese).

A punção direta da medula é realizada com agulha, na região da bacia e retira-se uma quantidade de "tutano" (medula) equivalente à uma bolsa de sangue. Para que o doador não sinta dor, é realizada anestesia e o procedimento dura em média 40 minutos. O doador fica em observação por um dia e pode retornar suas atividades no dia seguinte.

O doador sente como se tivesse recebido uma injeção oleosa. Não fica cicatriz, apenas a marca de 3 a 5 furos de agulhas. A coleta pela veia é realizada pela máquina de aférese. O doador recebe um medicamento por 5 dias que estimula a proliferação das células-mãe. As células-mãe migram da medula para as veias e são filtradas. O processo de filtração dura em média 4 horas, até que se obtenha o número adequado de células. O único efeito colateral do medicamento é que ele pode dar uma dor no corpo, como uma gripe. O médico informa sobre qual a melhor forma de coleta de células para aquele paciente. Dependendo da doença e da fase em que se encontra, o paciente pode se beneficiar mais com uma forma de doação. Retira-se um volume de medula do doador de, no máximo, 10% do seu peso. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à saúde.

Como é o transplante para o paciente?

Após diagnosticado a doença do paciente, este se submete à primeira fase do tratamento que consiste na destruição da própria medula. O paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras, que uma vez na corrente sangüínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, deve ser mantido internado no hospital, em regime de isolamento. Cuidados com a dieta, limpeza e esforços físicos são necessários. Por um período de 2 a 3 semanas, deverá ser mantido internado e, apesar de todos os cuidados, os episódios de febre são quase uma regra no paciente transplantado. Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial, sendo necessário, por vezes, o comparecimento diário ao hospital.

Quais os riscos para o paciente?

A boa evolução durante o transplante depende de vários fatores: o estágio da doença (diagnóstico precoce), o estado geral do paciente, boas condições nutricionais e clínicas, além, é claro, do doador ideal. Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova "memória" e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação, chamada de doença de enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados. No transplante de medula, a rejeição é rara.

Quais os riscos para o doador?

Os riscos são praticamente inexistentes, sendo retirada do doador a quantidade de medula óssea necessária (menos de 10%). Dentro de poucas semanas, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada.

Quem pode doar?

Qualquer pessoa com mais de 18 anos e menos de 55 anos de idade e com boa saúde.

Como é feito o registro no Redome?

É coletado uma pequena quantidade de sangue (cerca de 10 ml) para fazer exames de compatibilidade, quando a pessoa concorda em ser doadora. As características genéticas são colocadas no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME).

Como é e quando é feito o transplante?

Quando é verificada a compatibilidade entre medula e receptor, o doador é contatado para decidir sobre a doação e caso confirme são realizados outros exames para verificar o estado de saúde. A doação é simples e se faz em centro cirúrgico, sob anestesia, através de uma pequena punção na lateral do quadril para retirar o líquido da medula. O doador fica em observação por apenas 24 horas, retornando depois às atividades normais. A medula é recomposta em no máximo 15 dias.

 

 

 

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